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Delegado de Polícia
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Polícia Civil/DF 2012 Polícia Civil/DF 2015

Polícia Civil/DF 2009

Agente de Polícia

Questão 1

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Na linha 17, as vírgulas que isolam “nos Estados Unidos” são provocadas pelo [a]

Questão 2

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa correta quanto às ideias apresentadas no texto I.

Questão 3

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa correta quanto às relações extraídas da argumentação do texto I.

Questão 4

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa em que a palavra “se” possui a mesma função sintática que em “que se situam no pelotão de frente da economia e do conhecimento” (linhas 5 e 6).

Questão 5

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa em que o par de palavras grafadas em tipo itálico tem essa grafia diferenciada por motivos idênticos e que o tipo itálico poderia ser substituído, no texto I, pelas aspas.

Questão 6

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Considerando o período “Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência, mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes espíritos científicos — se defrontam com mentes impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de construção de um mundo diferente.” (linhas de 33 a 37), assinale a alternativa que apresenta corretamente o sujeito da oração que contém o verbo defrontar.

Questão 7

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa em que o termo sublinhado contém mesmo valor semântico que o sublinhado em “O país mais desenvolvido do mundo” (linha 2).

Questão 8

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa em que a reescritura de parte do texto I mantém a correção gramatical, levando em conta as alterações gráficas necessárias para adaptá-la ao texto.

Questão 9

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Assinale a alternativa em que a acentuação das palavras relacionadas pode ser justificada com base na mesma regra.

Questão 10

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Cada uma das alternativas abaixo apresenta um fragmento do texto I seguido por uma afirmativa relacionada a classificação sintática e(ou) a aspecto semântico. Assinale a alternativa em que a afirmativa está incorreta.

Questão 11

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
Quanto à pontuação e à coesão textual do trecho “O cientista racional, se não for esquizofrênico (...) compassivo, seja o que for.” (linhas de 113 a 116), assinale a alternativa que apresenta a reescritura correta.

Questão 12

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto I
 
 
Ao mesmo tempo, ressurge a oposição razão e fé,
 
que parecia remota. O país mais desenvolvido do mundo,
5
aquele em que a ciência e a tecnologia mais contribuem para
 
gerar riqueza, é também — entre as poucas dezenas de
 
nações que se situam no pelotão de frente da economia e do
 
conhecimento — aquele em que a maior parte da população
 
acredita exatamente naquilo que não dispõe de base
10
científica alguma. Em nenhum país, o criacionismo é tão forte
 
quanto nos Estados Unidos. No entanto, inexiste qualquer
 
fundamento científico para ele. Temos, assim, ali onde a
 
interação entre o conhecimento científico e a economia
 
constrói a massa de sucesso mais forte da história, uma
15
profunda descrença, ou ignorância, da população a respeito
 
daquilo que constitui a base mesma de seu êxito — ou a
 
base mesma de sua prática.
 
Faz-se nos Estados Unidos o maior volume de
 
ciência do mundo. O trabalho, nos Estados Unidos, é — em
20
termos absolutos — incomparavelmente mais marcado pelo
 
conhecimento científico do que em qualquer outro país do
 
mundo, e, em termos relativos, dividido pela população, essa
 
sua qualificação superior também ocupa posição de
 
destaque. Ao mesmo tempo, nos Estados Unidos, a agenda
25
pública comporta uma adesão a superstições, a crenças que
 
a ciência moderna desmontou. Ou seja, eles são o país que
 
melhor mostra um duplo papel da ciência, a exigir um
 
balanço sério e medidas audazes: ela muitas vezes aprimora
 
nosso fazer, mas é impotente para melhorar o nosso agir. A
30
ciência é incorporada, como tecnologia e mesmo como
 
inovação, nas fábricas, nas plantações, nos serviços, mas a
 
teoria que nela está, a semente de inquietação e de
 
inteligência que nela pulsa, não chega à consciência dos
 
milhões e talvez bilhões de pessoas que dela fazem uso.
35
Usa-se a ciência, aprende-se com os resultados da ciência,
 
mas o espírito científico — ou os inúmeros e conflitantes
 
espíritos científicos — se defrontam com mentes
 
impermeáveis a seu trabalho de erosão de mitos e de
 
construção de um mundo diferente.
40
É preciso explorar um pouco a diferença, que vem
 
dos filósofos gregos mas que foi bem rememorada por
 
Hannah Arendt, entre fazer e agir. A fabricação é o modo
 
pelo qual os modernos concebem o mundo da prática. Esta
 
perde uma dimensão que era forte entre os antigos, à qual
45
chamaremos aqui agir: o mundo humano é o da práxis. Nele
 
se praticam atos que têm o homem como autor e como
 
destinatário, como sujeito e como objeto. Por isso mesmo, o
 
homem nunca é puro sujeito nem mero objeto, quando lida
 
com seu próximo: ele tem, neste último, alguém que lhe pode
50
retrucar, que pode protestar contra o que ele diz ou faz. No
 
entanto, o segredo da modernidade consistiu em uma
 
mudança dessa relação. Dizendo de outro modo, a Idade
 
Média cede lugar à Renascença quando a oposição entre vita
 
activa e vita contemplativa, entre negotium e otium é
55
substituída por outros papéis. Com efeito, os humanistas
 
discutem se é preferível a vida contemplativa do sábio ou do
 
cientista, que prefere um otium (geralmente cum dignitate)
 
que lhe permita almejar a paz interna e a verdade do mundo
 
exterior, ou a vida ativa de quem se debruça sobre os
60
negócios da cidade e contribui para construir uma sociedade
 
melhor.
 
Exemplar desse debate é a primeira parte da Utopia,
 
de Thomas Morus, como se sabe escrita depois da segunda
 
parte. Nesta última, expõe-se como seria a ilha de Utopia, o
65
primeiro regime “comunista” do mundo moderno. Na primeira
 
parte, porém, redigida um ano após a segunda, dá-se um
 
contexto para aquela exposição. Aparentemente, o contexto
 
fica aquém do texto, a moldura é menos que a pintura.
 
Quando se fala da Utopia, costuma-se citar, da primeira
70
parte, a passagem terrível em que, criticando a apropriação
 
privada e desigual das antigas terras comunais para a
 
pastagem de carneiros, afirma-se que estes últimos, de
 
animais inocentes, se tornaram devoradores de homens — a
 
primeira crítica filosófica às enclosures, que mudaram a
75
paisagem inglesa e as relações sociais nos séculos que
 
precedem a Renascença e que a ela sucedem; e também, da
 
mesma parte, a crítica generalizada ao dinheiro e a seu
 
poder; enquanto, da segunda parte, se reflete sobre a
 
proposta de uma sociedade utópica (de Utopia, literalmente
80
“nenhum lugar”), banhada por um rio sem água (Anidro é seu
 
nome) e relatada pelo português Rafael Hitlodeu (“autor de
 
disparates”), mas talvez, dizem alguns, eutópica (“lugar
 
belo”). Mas o que nos interessa aqui é outro ponto.
 
O que se debate na primeira parte é se o intelectual
85
deve participar da coisa pública, ajudando a melhorar a vida
 
dos outros, ou se esse empenho seria inútil e o que melhor
 
lhe convém é a contemplação: não mais a das verdades
 
celestiais, mas a da tolice humana. Desse rico assunto, o que
 
aqui nos interessa é a substituição moderna da vida
90
contemplativa e do otium por outro tipo de vida. Mas essa
 
não é a reedição da vida ativa ou do negotium, embora
 
pareça com frequência constituir sua caricatura. Pois ao
 
negotium, que era o cuidado com a coisa pública, sucede o
 
negócio, que é o business, o desinteresse pela res publica e
95
a animação com a vida privada do empreendedor ou
 
empresário. Daí, também, que a vida ativa se reduza, na
 
verdade, a um fazer interminável. Para o homem do otium, do
 
lazer inteligente, a práxis já era algo sem muita condição de
 
se realizar; mas, em seu lugar, o que vem agora é um fazer,
100
um fabricar, um produzir. A produção típica do otium era uma
 
autoprodução. Consistia em os humanos se construírem pela
 
reflexão e, eventualmente, pelo diálogo. O mesmo valia em
 
certa medida para o negotium: este consistia em os humanos
 
se construírem pela práxis (em) comum. Mas a produção
105
típica do business é uma produção externa, em que, em vez
 
de cada um construir sua humanidade laboriosamente, ou de
 
em suas relações ela se constituir, o que se faz e fabrica são
 
objetos externos, nos quais se projeta uma caricatura do
 
fazer humano.
110
[...]
 
Em que medida o conhecimento científico aprimora
 
o sentido ético das pessoas, os valores que elas assumem?
 
Sem dúvida, podemos dizer que o domínio da razão e o da fé
 
são distintos; que um cientista racionalíssimo em seu
115
laboratório pode, perfeitamente, orar e adorar a Deus; mas
 
não é disso que se trata. O cientista racional, se não for
 
esquizofrênico, considerará em sua atividade científica
 
alguns valores essenciais que se ligam a sua religião —
 
buscará ser bom, compassivo, seja o que for. Da mesma
120
forma, o religioso culto, ainda que aceite que em sua religião
 
— como em qualquer outra — há algo incompreensível,
 
levará em conta em sua ação o que aprendeu com a ciência
 
e com os avanços de nosso conhecimento. O problema é que
 
esse diálogo, que parece travar-se entre os cultos, não afeta
125
ou afeta pouco as massas sociais. Estas se beneficiam dos
 
ganhos científicos no plano do fazer, mas ignoram-nos quase
 
por completo no plano do agir.
Renato Janine Ribeiro. Internet: <http://www.cres2008.org/upload/documentos Publicos/tendencia/Tema02/Renato%20Janine%20Ribeiro.doc>(com adaptações). Acesso em 20/1/2009.
O trecho “O problema é que esse diálogo, que parece travarse entre os cultos, não afeta ou afeta pouco as massas sociais.” (linhas de 120 a 122) pode ser reescrito, sem que haja alteração de sentido, da seguinte forma:

Questão 13

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto II
 
 
Porque num exército que persegue há o mesmo
 
automatismo impulsivo dos exércitos que fogem. O pânico e
5
a bravura doida, o extremo pavor e a audácia extrema,
 
confundem-se no mesmo aspecto. O mesmo estonteamento
 
e o mesmo tropear precipitado entre os maiores obstáculos,
 
e a mesma vertigem, e a mesma nevrose torturante abalando
 
as fileiras, e a mesma ansiedade dolorosa, estimulam e
10
alucinam com idêntico vigor o homem que foge à morte e o
 
homem que quer matar. É que um exército é, antes de tudo,
 
uma multidão, “acervo de elementos heterogêneos em que
 
basta irromper uma centelha de paixão para determinar
 
súbita metamorfose, numa espécie de geração espontânea
15
em virtude da qual milhares de indivíduos diversos se fazem
 
um animal único, fera anônima e monstruosa caminhando
 
para dado objetivo com finalidade irresistível”. Somente a
 
fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração
 
deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma
20
diretriz em que se retifique o tumulto. Os grandes
 
estrategistas têm, instintivamente, compreendido que a
 
primeira vitória a alcançar nas guerras está no debelar esse
 
contágio de emoções violentas e essa instabilidade de
 
sentimentos que com a mesma intensidade lançam o
25
combatente nos mais sérios perigos e na fuga.
Euclides da Cunha. Os Sertões. 39.ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.
Assinale a alternativa que apresenta reescritura gramaticalmente correta do fragmento “Somente a fortaleza moral (...) se retifique o tumulto.” (linhas de 15 a 18), sem alteração do sentido original.

Questão 14

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto II
 
 
Porque num exército que persegue há o mesmo
 
automatismo impulsivo dos exércitos que fogem. O pânico e
5
a bravura doida, o extremo pavor e a audácia extrema,
 
confundem-se no mesmo aspecto. O mesmo estonteamento
 
e o mesmo tropear precipitado entre os maiores obstáculos,
 
e a mesma vertigem, e a mesma nevrose torturante abalando
 
as fileiras, e a mesma ansiedade dolorosa, estimulam e
10
alucinam com idêntico vigor o homem que foge à morte e o
 
homem que quer matar. É que um exército é, antes de tudo,
 
uma multidão, “acervo de elementos heterogêneos em que
 
basta irromper uma centelha de paixão para determinar
 
súbita metamorfose, numa espécie de geração espontânea
15
em virtude da qual milhares de indivíduos diversos se fazem
 
um animal único, fera anônima e monstruosa caminhando
 
para dado objetivo com finalidade irresistível”. Somente a
 
fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração
 
deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma
20
diretriz em que se retifique o tumulto. Os grandes
 
estrategistas têm, instintivamente, compreendido que a
 
primeira vitória a alcançar nas guerras está no debelar esse
 
contágio de emoções violentas e essa instabilidade de
 
sentimentos que com a mesma intensidade lançam o
25
combatente nos mais sérios perigos e na fuga.
Euclides da Cunha. Os Sertões. 39.ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.
Em relação ao texto II, assinale a alternativa correta.

Questão 15

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
1
Texto II
 
 
Porque num exército que persegue há o mesmo
 
automatismo impulsivo dos exércitos que fogem. O pânico e
5
a bravura doida, o extremo pavor e a audácia extrema,
 
confundem-se no mesmo aspecto. O mesmo estonteamento
 
e o mesmo tropear precipitado entre os maiores obstáculos,
 
e a mesma vertigem, e a mesma nevrose torturante abalando
 
as fileiras, e a mesma ansiedade dolorosa, estimulam e
10
alucinam com idêntico vigor o homem que foge à morte e o
 
homem que quer matar. É que um exército é, antes de tudo,
 
uma multidão, “acervo de elementos heterogêneos em que
 
basta irromper uma centelha de paixão para determinar
 
súbita metamorfose, numa espécie de geração espontânea
15
em virtude da qual milhares de indivíduos diversos se fazem
 
um animal único, fera anônima e monstruosa caminhando
 
para dado objetivo com finalidade irresistível”. Somente a
 
fortaleza moral de um chefe pode obstar esta transfiguração
 
deplorável, descendo, lúcida e inflexível, impondo uma
20
diretriz em que se retifique o tumulto. Os grandes
 
estrategistas têm, instintivamente, compreendido que a
 
primeira vitória a alcançar nas guerras está no debelar esse
 
contágio de emoções violentas e essa instabilidade de
 
sentimentos que com a mesma intensidade lançam o
25
combatente nos mais sérios perigos e na fuga.
Euclides da Cunha. Os Sertões. 39.ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1997.
De acordo com as relações argumentativas e construtivas do texto II, assinale a alternativa correta.

Questão 16

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Uma proposição logicamente equivalente à negação da proposição “se o cão mia, então o gato não late” é a proposição

Questão 17

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
A figura a seguir informa os valores mínimos e máximos de reais gastos pelos pais atualmente com a mesada de seus filhos.


Um adolescente recebia, em 2008, R$ 400,00 de mesada. Em um mês do mesmo ano, antes de seu aniversário, quando as finanças da família estavam abaladas, ele só recebeu R$ 250,00. Sabe-se que esse adolescente, enquanto esteve com essa idade, sempre recebeu mesada inferior ao valor máximo e superior ao valor mínimo da sua faixa etária, informados na figura.
Qual era, em 2008, a idade, em anos, desse adolescente?

Questão 18

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Um trielo é uma disputa entre três participantes, a exemplo do duelo, em que participam duas pessoas. Suponha que, certa manhã, os senhores X, Y e Z encontram-se para resolver uma disputa, em que, a igual distância uns dos outros, atirarão com pistolas, um após o outro, um único tiro por vez, obedecendo a certa ordem, até que apenas um permaneça vivo. Sabe-se que o senhor X acerta um tiro em cada três, que o senhor Y acerta dois tiros em cada três e que o senhor Z nunca erra. Para ser justo, o trielo será iniciado com o senhor X atirando, seguido do senhor Y, se ainda estiver vivo, depois pelo senhor Z, se ainda estiver vivo, e assim sucessivamente até restar vivo apenas um desafiante. Para aumentar suas chances de sobrevivência na disputa, o melhor que o senhor X deverá fazer, do ponto de vista lógico, é

Questão 19

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia

» Esta questão foi anulada pela banca.
Uma loja vende tintas em dez cores diferentes. Se cinco clientes compram uma lata de tinta cada um, é correto afirmar que

Questão 20

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Um Grupo de Ação Especial (GAE) da polícia é formado por oito membros que têm média de idade de 35 anos. Cada policial do grupo é substituído compulsoriamente aos 45 anos de idade e, antes disso, somente por motivo de falecimento, incapacidade física ou mental, pedido de dispensa ou motivo grave que justifique sua imediata retirada do grupo (por exemplo, desvio de conduta, insubordinação, envolvimento com crimes, ação que exponha os companheiros a riscos desnecessários, quebra de sigilo etc.). Um dos membros foi substituído por um policial recém treinado de apenas 20 anos de idade. Com isso, a média de idade do grupo caiu em três anos.
Considerando essa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Questão 21

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
As Regiões Integradas de Desenvolvimento (RIDES) surgem como uma resposta às possibilidades de transformação social preconizadas pela Constituição de 1988, apontando para um modelo no qual o Estado deixa de ser o provedor absoluto de bens e serviços públicos e responsável único pela promoção do desenvolvimento econômico e social e passa a adotar estratégias de descentralização, de forma que novos atores e arranjos institucionais e territoriais começam a participar do processo de desenho e implementação de políticas públicas. A respeito da Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE/DF), é correto afirmar que

Questão 22

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia

» Esta questão foi anulada pela banca.
(18/11/2008) Pelo segundo ano consecutivo, o Distrito Federal ocupa a oitava posição na economia brasileira e continua com a maior renda per capita do país. Os dados referentes ao ano de 2006 foram divulgados nesta sexta-feira pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan), em parceria com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O PIB-DF passou de R$ 80.517 bilhões em 2005 para R$ 89.630 bilhões em 2006. O crescimento da economia local foi de 5,4%, 72,8% maior do que o brasileiro (3,97%) e quase duas vezes mais que o do Centro-Oeste (2,83%). Nesse ranking, o DF ocupa a 8ª posição no País. O DF é responsável por 3,78% do PIB brasileiro e 43,43% de toda a riqueza produzida pelo Centro-Oeste.
Internet: <http://www.codeplan.df.gov.br>. Acesso em 10/2/2009.

Tomando o texto acima como referência e refletindo a respeito dos aspectos econômicos do Distrito Federal, assinale a alternativa correta.

Questão 23

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Brasília comemorará, em 21 de abril de 2010, meio século de existência. Foi projetada para abrigar, originalmente, 500 mil pessoas; porém, já ultrapassou, segundo o último censo, a marca de 2 milhões de habitantes. Desse modo, passou a conviver com diversos problemas comuns às grandes cidades do país, ligados, por exemplo, à ocupação do solo, à violência urbana e ao meio ambiente.


Acerca da situação de Brasília quanto ao processo de urbanização e outras situações a ele correlacionadas ou por ele causadas, e contando com o apoio do mapa acima, assinale a alternativa correta.

Questão 24

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Parece-nos também muito útil que se levante uma cidade central no interior do Brasil, para assento da Corte ou da Regência, que poderá ser na latitude pouco mais ou menos de 15°, em sítio sadio, ameno, fértil, e rega do por um rio navegável. Desse modo, fica a Corte ou a Regência livre de qualquer assalto e surpresa externa; e se chama para as províncias centrais o excesso de população vadia das cidades marítimas e mercantis. Dessa Corte central deverse-ão logo abrir estradas para as províncias e portos do mar, para que se comuniquem e circulem com toda a prontidão as ordens do governo e se favoreça por ela o comércio interno do vasto império do Brasil.
José Bonifácio de Andrada e Silva. “Lembranças e apontamentos do governo provisório para os senhores deputados da Província de São Paulo”. In: Demetrio Magnoli e Regina Araujo. Projeto de Ensino de Geografia. São Paulo: Moderna, 2005, p. 94.

Utilizando-se do texto apenas como referencial e recorrendo a seus conhecimentos acerca do processo de ocupação do Distrito Federal e assuntos correlatos, assinale a alternativa correta.

Questão 25

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Acerca dos aspectos físicos do Distrito Federal (DF), assinale a alternativa correta.

Questão 26

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
(14/01/09) A decisão da Justiça brasileira de conceder ao ex-ativista italiano de extrema-esquerda Cesare Battisti refúgio político gerou duras reações por parte do governo italiano e de familiares de vítimas de terrorismo.[...] O ministério das Relações Exteriores italiano reagiu com uma nota na qual, além de condenar a decisão do ministro Tarso Genro (Justiça) [...] Além da chancelaria, representantes do governo [...] manifestaram indignação contra a decisão da Justiça brasileira. O vice-ministro do Interior, Alfredo Mantovano, considerou "grave e ofensiva" a decisão: "um insulto a nosso sistema democrático", disse.
Internet: <http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u489961.shtml>. Acesso em 15/2/2009.

Acerca do assunto abordado no texto, assinale a alternativa correta.

Questão 27

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Na queda-de-braço entre chavismo e oposição, ambos os lados personalizam na figura do presidente sua discordância diametral sobre os rumos que o país deve tomar. Por trás da figura do coronel paraquedista transformado em chefe de Estado está um projeto de contornos vagos, mas com um sentido geral claro: socialismo bolivariano, uma mescla de estatismo distributivista com nacionalismo antiamericano.
O empenho de Chávez em assegurar-se o direito de renovar o mandato indefinidamente sugere insegurança: a revolução não teria pernas para seguir em frente sem o líder.
De maneira análoga, os opositores do projeto chavista parecem ver no presidente um obstáculo cuja remoção seria indispensável para reverter a marcha socializante.
Silvio Queiroz. Duelo de espelhos. In: Correio Braziliense, 15/2/2009, p. 18.

Esse texto foi publicado no dia do referendo realizado na Venezuela, a respeito da possibilidade de reeleições sucessivas para os principais cargos executivos do país, cujo resultado foi favorável ao presente Hugo Chávez. Tomandoo apenas como referência inicial, assinale a alternativa correta.

Questão 28

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Governo trocará 10 milhões de geladeiras em 10 anos

O governo federal trocará 10 milhões de geladeiras em 10 anos. O objetivo é acabar com os refrigeradores feitos antes de 2001. Estes usam o CFC — gás com potencial para efeito estufa e que causa dano à camada de ozônio — para refrigeração. Na quarta-feira (4), os ministros do Meio Ambiente, de Minas e Energia, do Desenvolvimento Social, de Desenvolvimento, Indústria e Comércio e da Fazenda apresentaram o projeto ao presidente Lula, que prevê doações e financiamentos de novos refrigeradores.
Internet: <http://noticias.ambientebrasil.com.br/noticia/?id=43553>. Acesso em 13/2/2009.

Além da questão da emissão de CFC, aparelhos mais antigos são também maiores consumidores de energia. Considerando essa afirmação, a temática abordada no texto e assuntos a ela relacionados, assinale a alternativa correta.

Questão 29

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
Entre o final do mês de janeiro e os primeiros dias do mês de fevereiro últimos, inspetores da FIFA visitaram as 17 cidades brasileiras candidatas a sediar os jogos da Copa do Mundo de 2014.

Acerca desse assunto, assinale a alternativa incorreta.

Questão 30

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia

» Esta questão foi anulada pela banca.
A respeito da Internet, julgue os itens a seguir e assinale a alternativa correta.
I Na Internet, cada página tem um endereço próprio. Esses endereços são chamados de domínios, como, por exemplo: http://www.universa.org.br. Neste exemplo, a categoria de domínio org.br significa entidades do governo federal.

II Bluetooth é um padrão global de comunicação sem fio e de baixo consumo de energia que permite a transmissão de dados entre dispositivos compatíveis com a tecnologia. Os dispositivos Bluetooth se comunicam formando uma rede na qual podem existir mais de cinco dispositivos diferentes conectados entre si.

III Os cookies são programas que os servidores da web armazenam no disco rígido do usuário.

IV A Internet possui dois protocolos de transporte: o UDP, que garante a entrega e a sequência correta de pacotes, e o TCP, que não garante a entrega nem a sequência correta de pacotes entregues.

V A Word Wide Web é uma estrutura arquitetônica que permite o acesso a documentos vinculados espalhados por milhares de máquinas na Internet.

A quantidade de itens certos é igual a

Questão 31

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
No que se refere à segurança da informação, julgue os itens que se seguem e assinale a alternativa correta.

I Firewalls são dispositivos constituídos pela combinação de software e hardware, utilizados para dividir e controlar o acesso entre redes de computadores.

II Spam é o termo usado para se referir aos e-mails solicitados, que geralmente são enviados para um grande número de pessoas.

III Vírus é um programa ou parte de um programa de computador que se propaga infectando, isto é, inserindo cópias de si mesmo e se tornando parte de outros programas e arquivos de um computador.

IV Criptografia é uma ferramenta que pode ser usada para manter informações confidenciais e garantir sua integridade e autenticidade. Os métodos criptográficos podem ser subdivididos em três grandes categorias, de acordo com o tipo de chave utilizada: criptografia de chave única, criptografia de chave pública e criptografia de chave privada.

V Antivírus são programas projetados para detectar e eliminar vírus de computador. Existem no mercado excelentes antivírus: o que dificulta o acesso a estes programas é o fato de que, hoje, todos são pagos.

Questão 32

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
A conexão ADSL (asymmetrical digital subscriber line) oferece várias vantagens sobre a conexão convencional. Assinale a alternativa que apresenta apenas vantagem(ens) da ADSL.

Questão 33

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia
O Windows Vista é um sistema operacional desenvolvido pela Microsoft para uso em computadores pessoais, incluindo computadores residenciais e de escritórios, laptops, Tablet PC. Entre os recursos disponibilizados no Windows, tem-se uma linha de defesa principal, fundamental para proteger o computador contra muitos tipos de softwares malintencionados. Esse recurso é chamado

Questão 34

Polícia Civil/DF 2009 - FUNIVERSA - Agente de Polícia

» Esta questão foi anulada pela banca.
A respeito do Linux, assinale a alternativa correta.

Questão 35

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Um professor utiliza o Microsoft Excel 2003 (com sua instalação padrão), para controlar as notas dos seus alunos, conforme mostra a figura abaixo. Ele deseja lançar, na coluna “E” da planilha, o conceito “Aprovado”, quando a média do aluno for superior ou igual a 5, ou o conceito “Reprovado”, quando a média do aluno for inferior a 5 aplicando a função lógica “SE”. Assinale a alternativa que apresenta corretamente o uso da função “SE” para que o professor lance o conceito da aluna Maria.


Observação: figura ampliada na página 21

Questão 36

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A Teoria Geral da Administração (TGA) é um corpo de conhecimentos a respeito das organizações e do processo de administrá-las. É formada por princípios, proposições e técnicas em permanente elaboração. Assim, a TGA compreende dois tipos principais de conhecimentos.

Questão 37

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Com relação à estrutura informal, assinale a alternativa correta.

Questão 38

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Em regra geral, a organização que adota uma postura estratégica de vanguarda no seu planejamento estratégico deve estar

Questão 39

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De acordo com a tabela a seguir, julgue os itens que se seguem e assinale a alternativa correta.



Observação: figura ampliada na página 21

I Em 2007, a variação no número de vítimas de fevereiro em relação ao mês anterior foi maior que a do mesmo período do ano de 2008.

II A variabilidade relativa do número de vítimas de 2007 foi igual à do ano de 2008.

III A variação percentual de vítimas em 2008, com relação ao ano anterior, foi superior a 7%.

Questão 40

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» Esta questão foi anulada pela banca.
Um estudo estatístico de fatos sociais com base em cálculos amostrais que visa generalizar tais resultados para o grupo populacional é conhecido como

Questão 41

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Denomina-se poder constituinte aquela prerrogativa de elaborar ou atualizar o texto constitucional. Nesse cenário, há que se distinguir entre o titular e o exercente desse poder, do que, quanto àquele, é consagrado, no texto federal, ser o povo; já, quanto a essa faculdade de exercitá-lo, têm-na os agentes políticos eleitos para tal. Acerca do poder constituinte, assinale a alternativa correta.

Questão 42

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A teoria dos direitos fundamentais leva ao estudo daqueles de natureza indisponível por parte dos cidadãos, na medida de sua titularidade pela comunidade como um todo, como a essência mínima de caracterização da própria definição de sociedade humana. A respeito dos direitos e garantias fundamentais, assinale a alternativa correta.

Questão 43

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A respeito dos direitos e deveres individuais e coletivos, assinale a alternativa correta.

Questão 44

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Quanto à divisão orgânica de competências, assinale a alternativa correta, relativa ao Poder Judiciário.

Questão 45

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Quanto à defesa do Estado e das instituições democráticas, assinale a alternativa correta.

Questão 46

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A respeito da Administração Pública, assinale a alternativa correta.

Questão 47

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» Esta questão foi anulada pela banca.
O Direito Administrativo é um ramo recente da ciência jurídica. Isso, basicamente, por duas razões: a primeira, pelo fato de ele ser ramo do Direito Público — o próprio nascimento deste está umbilicalmente ligado à formação dos Estados Nacionais; a segunda, pelo fato de que, sendo ínsita à sua existência a forma de controlar os agentes administrativos, a sua própria existência não se coadunava com o regime político dos Estados Absolutistas que antecederam a Revolução Francesa. Isso posto, assinale a alternativa correta a respeito dos conceitos necessários ao entendimento do Direito Administrativo e da Administração Pública.

Questão 48

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Sendo a Administração Pública o braço operacionalizador das políticas públicas, no que se distingue, pois, da função de governo, posto esta estar no nível de sua formulação, assinale a alternativa correta.

Questão 49

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Ainda que não se possa conceituar precisamente o ato administrativo, ao menos três características básicas ele tende a apresentar: o seu regime de direito público, a qualidade própria do agente que o emana e o fim de atendimento ao interesse público. Isso posto, assinale a alternativa correta.

Questão 50

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Acerca da responsabilidade civil do Estado, assinale a alternativa correta.

Questão 51

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» Esta questão foi anulada pela banca.
A respeito do controle exercido sobre a Administração Pública e seus consectários, assinale a alternativa correta.

Questão 52

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Quanto ao disciplinamento dos agentes públicos, assinale a alternativa incorreta.

Questão 53

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A Constituição Federal preceitua que todos são iguais perante a lei, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à propriedade. Por isso, o Código Penal tutela e protege o direito de propriedade, tipificando, nos artigos de 155 a 183, os crimes contra o patrimônio. A respeito desses crimes, assinale a alternativa incorreta.

Questão 54

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Cada uma das alternativas abaixo apresenta uma situação hipotética seguida de uma afirmativa a ser julgada. Assinale a alternativa em que a afirmativa está correta.

Questão 55

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No concurso de pessoas, o Código Penal diferencia o “coautor” do “partícipe”, propiciando ao juiz que aplique a pena conforme o juízo de reprovação social que cada um merece, em respeito ao princípio constitucional da individualização da pena (art. 5º, XLVI da Constituição Federal). Relativamente ao concurso de pessoas, assinale a alternativa incorreta.

Questão 56

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Francisco inscreveu-se no cadastro fiscal como comerciante de DVDs musicais e, como não obtinha lucro, passou a reproduzi-los, vendê-los e alugá-los por preço bem abaixo do de mercado, conseguindo autorização expressa para tal dos herdeiros dos compositores e dos cantores José e Luís, sem que aumentasse o faturamento, apesar de tal conduta perdurar por mais de dois anos.

A cantora Ana tomou conhecimento de que Francisco alugava os DVDs de autoria dela, reproduzia-os e vendia as cópias.

Em face dessa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Questão 57

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A respeito dos crimes contra a fé pública, assinale a alternativa correta.

Questão 58

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Quando um funcionário público deixa de praticar ou retarda ato de ofício, com infração de dever funcional, cedendo à influência de outrem, ele pratica o crime de

Questão 59

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Assinale a alternativa correta.

Questão 60

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Relativamente aos crimes contra a pessoa, o Código Penal dispõe de um capítulo específico sobre os crimes contra a honra, cujos tipos penais previstos são a calúnia, a difamação e a injúria. A respeito desse tema, assinale a alternativa correta.

Questão 61

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Além do erro sobre elementos do tipo (ou erro de tipo) previsto no art. 20, o Código Penal também trata do erro sobre a ilicitude do fato (ou erro de proibição) no art. 21. Quanto à distinção entre ambos, assinale a alternativa correta.

Questão 62

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Assinale a alternativa correta em relação à lei penal no tempo e no espaço.

Questão 63

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Assinale a alternativa correta.

Questão 64

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Oferecida denúncia por crime de ação pública incondicionada, o Ministério Público arrolou testemunha residente em comarca diversa, tendo sido expedida carta precatória para realização de sua oitiva, com o prazo de noventa dias, intimadas as partes. Encerrada a instrução após tal prazo, sem que fosse informada a data da inquirição da testemunha, ou mesmo a devolução da precatória, foi aberta vista às partes para memoriais, que alegaram a nulidade do feito pela não comunicação da data de oitiva da testemunha e que, até aquela data, a carta não foi juntada aos autos. O magistrado superou as nulidades alegadas e condenou o réu.
Tendo em vista essa situação hipotética, assinale a alternativa correta.

Questão 65

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A respeito do tema Processos em Espécie, assinale a alternativa que se encontra em conformidade com as recentes alterações introduzidas no Código de Processo Penal.

Questão 66

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Assinale a alternativa correta.

Questão 67

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No tocante à prova no direito processual penal brasileiro, assinale a alternativa incorreta.

Questão 68

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Considerando os fundamentos constitucionais da prisão (art. 5º, LXI) e da liberdade provisória (art. 5º, LXVI), pode-se concluir que a prisão, no Brasil, é a exceção, e a liberdade, enquanto o processo não atinge o seu ápice, com a condenação com trânsito em julgado, a regra. Nesse contexto, assinale a alternativa correta.

Questão 69

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Manoel, Joaquim e Maria resolvem obter vantagem para si em prejuízo de Ana, induzindo-a em erro mediante ardil, cuja conduta foi, por fim, praticada por Manoel e amolda-se à figura típica do art. 171, caput, do Código Penal Brasileiro. A Joaquim coube subtrair carteira de identidade alheia, tipificando a conduta descrita no art. 155, caput, do Código Penal Brasileiro; a Maria, falsificar o produto do furto, amoldando-se à figura do art. 297 do Código Penal Brasileiro.
Considerando essa situação hipotética, haverá unidade de processo e julgamento em virtude da conexão

Questão 70

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Acerca da prisão provisória, regulada pela Lei n.º 7.960, de 21/12/1989, assinale a alternativa correta.

Questão 71

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As partes possuem o direito de, na relação processual, insurgirem-se contra decisões judiciais, requerendo a sua revisão, total ou parcial, em instância superior. Para tanto, o Código de Processo Penal enumera diversos recursos objetivando o livre e pleno exercício do direito de ação e de defesa. Nesse contexto, assinale a alternativa correta.

Questão 72

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Assinale a alternativa correta.

Questão 73

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O delegado-chefe da delegacia de polícia de cidade vizinha ao Distrito Federal, por portaria, abriu inquérito policial para apurar crime de homicídio ocorrido nessa cidade. As investigações preliminares levadas a cabo pela polícia concluíram que recaem fortes indícios de autoria contra Júlio, indivíduo com extensa folha de crimes praticados nas cidades do entorno do DF. Após a oitiva do depoimento de Júlio, a autoridade policial, com o escopo de facilitar o término das investigações, determinou o seu recolhimento à carceragem do estabelecimento policial. A respeito dessa situação hipotética e do regime jurídico da Lei n.º 4.898/1965, assinale a alternativa incorreta.

Questão 74

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Importante atuação da Polícia judiciária deve ser a boa atuação no processamento dos crimes contra o sistema financeiro nacional. Acerca da Lei n.º 7.492/1986, assinale a alternativa correta.

Questão 75

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A Constituição Federal de 1988 assegurou como direito fundamental a inviolabilidade do sigilo de comunicação como regra (art. 5º, XII) e, excepcionalmente, a interceptação da comunicação telefônica, regulamentada pela Lei n.º 9.296, de 1996. Nesse contexto, assinale a alternativa correta.

Questão 76

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De acordo a Lei n.º 9.455, de 1997, que define os crimes de tortura, assinale a alternativa correta.

Questão 77

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A Lei n.º 9.099, de 1995, instituiu, na esfera estadual, o Juizado Especial Criminal para julgar as infrações penais de menor potencial ofensivo. De acordo com essa Lei, a citação será pessoal e far-se-á no próprio juizado, sempre que possível, ou por mandado. Todavia, quando o réu encontrarse em local incerto e não sabido,

Questão 78

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A respeito do Estatuto da Criança e do Adolescente, assinale a alternativa correta.

Questão 79

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» Esta questão foi anulada pela banca.
A respeito dos fundamentos da organização dos poderes e do Distrito Federal previstos na Lei Orgânica do Distrito Federal, assinale a alternativa incorreta.

Questão 80

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Em relação às disposições da Lei Orgânica do Distrito Federal, referentes à Polícia Civil, assinale a alternativa correta.



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